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13.11.09

Rendimento Mínimo de Inserção

As preocupações manifestadas recentemente por Sua Iminência o Bispo de Viseu, merecem-me hoje um irresistível comentário.

Publicado no jornal Correio da Manhã, no passado dia 11 de Novembro, sob o título “SÓ DEVE RECEBER QUEM TRABALHA” o dirigente religioso que tem a seu cargo a diocese de Viseu afirmava, a propósito dos cidadãos que estão abrangidos pelo direito ao Rendimento Mínimo de Inserção – (RMI) que estes deveriam ser obrigados à prestação de algum tipo de trabalho a favor da sociedade e em dado momento dizia que «essa ajuda do estado é muito importante, mas devia ser algo de transitório e não uma forma de vida».

Quanto a esta última afirmação penso estarmos todos de acordo, nomeadamente no que concerne à transitoriedade deste tipo de prestação social, mas seria honesto ter sido referido que o período de transição só não é mais rápido por, o Estado e a sociedade civil, não terem, como deviam, criado as condições de acompanhamento qualificado aos cidadãos nesta situação, assim como não estão criados os espaços à sua integração no aparelho produtivo.

Dom Ilídio Leandro dizia, mais à frente: «A obrigatoriedade de prestação de trabalho comunitário em instituições de solidariedade ou nas Juntas de freguesia, seria positiva para todos, já que, por outro lado, faria com que as pessoas se sentissem merecedoras dessa ajuda e, por outro, com que a comunidade sentisse que a ajuda que dá é merecida».

Primeira questão: O enquadramento legislativo que assegura este direito (e não merecimento) é a única expressão demonstrativa dessa situação;

Segunda questão: O trabalho deve ser remunerado em conformidade com o enquadramento profissional de quem o executa, se há trabalho nas Juntas de freguesia ou nas instituições de solidariedade, pois que se proceda ao recrutamento de trabalhadores, nomeadamente dos que se encontram na situação do RMI, sejam colocados no quadro de pessoal e as estes lhes seja atribuído um salário em conformidade com os contratos e tabelas negociadas.

Estou a tentar apagar dos meus pensamentos a ideia de que, em último caso, o que o Bispo de Viseu queria era, ainda mais, trabalho escravo. Pois, mas isso já não deve acontecer no Portugal de Abril em pleno século XXI.

Terceira questão: Esqueceu-se, o antigo pároco de Canas de Senhorim, de reflectir nas causas desta realidade e de identificar os responsáveis, esqueceu também o número de trabalhadores desempregados, em particular os que não estão abrangidos por qualquer apoio social esqueceu-se que procurar trabalho dignamente retribuído neste país é procurar água no deserto.

Lá do alto do púlpito e talvez depois de uma bela ceia, este homem de Deus não foi suficientemente “Iluminado” para se colocar ao lado dos que os Evangelhos determinam.

Sou dos que continua à espera ouvir uma Homilia de D. Ilídio Leandro onde nos fale da falta de oportunidades para os jovens em geral e dos jovens licenciados em particular, da insultuosa situação de crescente precariedade dos vínculos, dos inaceitáveis baixos salários, das perseguições aos que corajosamente optaram por estar à frente das lutas pelos direitos dos trabalhadores e também do papel dos empresários católicos na promoção e cumprimento da contratação colectiva, do seu dever de efectuar o pagamento dos salários e impostos a tempo e horas etc...

3.11.09

A luta é o único caminho

O Movimento dos Trabalhadores Desempregados - MTD, publicou a sua CARTA REIVINDICATIVA 2009/2010 que vale a pena ver com atenção e, já agora, contribuir para que a luta dos trabalhadores da "maior empresa do país" consigam os objectivos que são de todos.
À sua/nossa luta, a minha incondicional solidariedade.

20.4.09

Desemprego

Enquadrado num conjunto de iniciativas que a CGTP levou a efeito, teve lugar no passado dia 4 de Abril, em Guimarães, uma grandiosa manifestação de denúncia e repúdio das políticas que o governo do PS/Sócrates teima em prosseguir, alheio às desastrosas consequências que a cada dia se agravam e levam o país para o abismo económico e social.

Milhares de trabalhadores e muitos desempregados participaram nesta iniciativa com o sentimento que semelhante situação lhes pode bater à porta a qualquer momento.

A manifestação, apelidada de “marcha contra o desemprego”, decorreu entre Pevidém e Guimarães tendo culminado num Jardim da cidade berço onde, de entre outros, usaram da palavra Carvalho da Silva em nome da CGTP, Adão Mendes da União dos Sindicatos de Braga e Maria Ondina da Direcção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD.

Numa manifestação de apoio aos militantes que percorreram os 7 km da marcha, o Partido Comunista Português fez-se representar por vários dos seus dirigentes, alguns deles deputados no Parlamento Nacional e Europeu.

No decorrer da marcha tive oportunidade de trocar opiniões com vários manifestantes tendo-me sido descritas as mais complexas situações sociais que se vivem naquela região tão sacrificada. Contudo, também tive oportunidade de constatar a confiança de muitos, de que vale a pena lutar por um outro país, com outra política ao serviço dos trabalhadores.

O MTD, que foi co-promotor da iniciativa, goza já de grande prestígio por terras minhotas e a sua dirigente mais destacada, na intervenção que proferiu na iniciativa realçou o facto de este movimento se assumir como mais um instrumento organizativo dos trabalhadores para a dinamização da luta em sua defesa.




(destacados dirigentes do MTD definindo estratégias - da esquerda para a direita, Manuel Bravo - Presidente, Maria Ondina da Direcção Nacional e da Direcção Regional de Braga e Luis Leitão - Vice Presidente)
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