8.2.11

«O rapaz dos MELOs»

António Saraiva, o homem que o grande capital da indústria portuguesa fez substituir ao «já gasto» Vanzeler, apareceu há dias com um conjunto de lamurias relativamente aos «sindicalistas».

Dizia, o por muitos designado de «patrão dos patrões», que lamentava «o facto de os mandatos dos sindicalistas serem eternos» sendo isso um «problema de cidadania», que «dificilmente um sindicalista volta ao posto de trabalho» e « mata a mãe se necessário for, para se manterem agarrados ao sindicato ou à liderança sindical, porque a sociedade não encontrou aqui formas de absorver a sua experiência e canalizá-la de alguma forma».

São então estas as grandes preocupações do representante de uma classe que não só não se renova, como se nota cada vez mais, a ausência de projectos e ideias na perspectiva da sua sobrevivência enquanto indústria portuguesa. Os patrões da indústria portuguesa estão muito mais preocupados na rápida acumulação de riqueza do que num projecto de sustentabilidade económica para Portugal onde, eles, tenham papel determinante.

Não que eu esteja interessado que o país esteja nas mãos destes senhores que tão mal já lhe fizeram, mas por saber que ainda não é amanhã que a «grande mudança» vai acontecer.

O Saraiva repetidas vezes aperece a dizer-nos que já foi «sindicalista», que eu saiba ele foi membro de uma comissão de trabalhadores o que, diga-se, não é a mesma coisa.

Mas, o Saraiva, acha-se no direito, enquanto presidente da Confederação da Indústria Portuguesa – CIP, de dar indicações aos trabalhadores na forma como se devem ou não organizar, esquecendo-se que os ditos «sindicalistas» são, tão só, dirigentes de Associações de Classe, com direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Legislação Laboral, INDEPENDENTES. Percebeu senhor Saraiva? Associações de Classe e INDEPENDENTES.

Pode, no entanto, pronunciar-se o senhor Saraiva sobre aquelas organizaçõeszinhas que o patronato criou, a que os trabalhadores chamam de «amarelas» e que desempenham, muitas vezes, o papel para que foram criadas, ou seja, dividir os trabalhadores, dificultar a sua luta.

No que toca ao Movimento Sindical Português, desse, senhor Saraiva abstenha-se de opinar, porque os trabalhadores sindicalizados, entidade soberana dessas Associações, não lhe passaram qualquer procuração.

A nossa democracia, o Portugal democrático que emana da Revolução de Abril de 74, espera dos empresários portugueses outro tipo de preocupações.

Cumpram o Vosso papel que os trabalhadores portugueses há muito o vêm desempenhando.


2 comentários:

joão l.henrique disse...

Copletamente de acordo.

Um abraço.

Baltazar disse...

Ora muito bem.
De facto falam do alto do pedestal, em nome daqueles que todos os dias oprimem molestam e pontapeiam.
Devia falar do que sabe, melhor do devia saber, gestão, pois disso estamos muito carenciados. Ou será que essa parte não é com ele ou espera que os lacaios do governo também lhe resolvam o problema, o que lhe interessa é ter lucro sem custos limpinho e sem impostos ainda melhor.
Deviam ter vergonha na cara.
Deve ser daqueles que aplaude por exemplo as chefias da Citroen que financiou duas (sim duas) listas para a eleição da Comissão de Trabalhadores com a ajuda para pagar (canetas, esqueiros, e outros brindes) para ver se comprava os trabalhadores, pois mas nem assim conseguiu, levou cinco a dois, pois só uma conseguiu eleger.
Como sempre arrogantes.
Baltazar